Fiquei um tanto surpresa
Ao saber que estava lá
O visitante inoportuno
Que veio sem avisar!

Alojou-se num canto
Que escolheu para morar;
Se alimentava depressa,às
Vezes devagar!

Não dormia,trabalhava
Constantemente,sem cessar,
Tinha pressa,pois queria
Conta de tudo tomar;

Os rios adormecidos
Vieram a transbordar,o
Peso de suas águas não
Puderam suportar,

Vesti-me de esperança e
Fui à guerra lutar
Senti medo,insegurança,
Nessa luta onde a esperança,
Deu-me forças,para dele me livrar

É como erva daninha,
Difícil de se livrar,
Se deixar tomar conta,
Espalha por todo lugar;

O tempo passa depressa,
Não podia os braços cruzar
Soldado que contra a morte não
Luta,espera a morte chegar.

Maria Lúcia de Carvalho (autora do livro "Linhas de Emoção)

(Escreveu este poema quando descobriu que estava com câncer)