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Lavei
minhas mãos, hoje nuas
dos teus afagos, tentando apagar as marcas
das tuas.
Lavei no regaço, lavei nos meus braços
a chama dos teus abraços, invisíveis apenas aos
olhos alheios.
Porém
foi inútil o meu anseio.
Na boca está viva ainda a lembrança
de tuas carícias, leves, ousadas.
Teus antigos gestos de amor agora são farpas
com que me maltratas, embora à distância.
Insistente,
na ânsia de ver-te afastado de mim, lavei minha boca,
úmida ainda de teu beijo.
Enfim, lavei o meu corpo, lavei-o com calma.
Só não pude lavar minha alma.
Esta continua impregnada de teu cheiro.
Insistente
e aflita, tentei novamente lavar-me no corpo e na mente.
Lavar as lembranças, levar para longe a extinta esperança.
Novamente inútil foi meu desejo,
Assim como inútil a ânsia
pelo teu beijo.
autora:Maria Esther Torinho

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