
Numa cidade da Índia viviam sete sábios
cegos. Como seus conselhos eram sempre excelentes, todas
as pessoas que tinham problemas os consultavam.
Embora fossem amigos, havia uma certa rivalidade entre
eles, que de vez em quando discutiam sobre qual seria
o mais sábio.
Certa noite, depois de muito debaterem acerca da verdade
da vida, e não chegarem a um acordo, o sétimo
sábio ficou tão aborrecido que resolveu
ir morar sozinho numa caverna da montanha.
Disse aos companheiros:
- Somos cegos para que possamos ouvir melhor e compreender
melhor que as outras pessoas a verdade da vida. E, em
vez de aconselhar os necessitados, vocês ficam
aí brigando como se quisessem ganhar uma competição.
Não aguento mais. Vou-me embora.
No dia seguinte, chegou à cidade um comerciante
montado num elefante imenso. Os cegos jamais haviam
tocado nesse animal e correram para a rua ao encontro
dele.
O primeiro sábio apalpou a barriga do bicho e
declarou:
- Trata-se de um ser gigantesco e muito forte. Posso
tocar em seus músculos e eles não se movem:
parecem paredes.
- Que bobagem,disse o segundo sábio, tocando
na presa do elefante,este animal é pontudo como
uma lança, uma arma de guerra. Ele se parece
com um tigre-dente-de-sabre.
- Ambos se enganam, retrucou o terceiro sábio,
que apalpava a tromba do elefante. Este animal é
idêntico a uma serpente. Mas não morde,
porque não tem dentes na boca. É uma cobra
mansa e macia.
- Vocês estão totalmente alucinados,gritou
o quinto sábio, que mexia nas orelhas do elefante,este
animal não se parece com nenhum outro. Seus movimentos
são ondeantes, como se seu corpo fosse uma enorme
cortina ambulante.
-Vejam só. Todos vocês, mas todos mesmo,
estão completamente errados, irritou-se o sexto
sábio, tocando a pequena cauda do elefante. Este
animal é como uma rocha com uma cordinha presa
no corpo. Posso até me pendurar nele.
E assim ficaram debatendo, aos gritos, os seis sábios,
durante horas e horas. Até que o sétimo
sábio cego, o que agora habitava a montanha,
apareceu conduzido por uma criança.
Ouvindo a discussão, ele pediu ao menino que
desenhasse no chão a figura do elefante. Quando
tateou os contornos do desenho, percebeu que todos os
sábios estavam certos e errados ao mesmo tempo.
Agradeceu ao menino e afirmou:
- Assim os homens se comportam diante da verdade. Pegam
apenas uma parte, pensam que é o todo e continuam
sempre tolos.
autor
desconhecido
